IA deixa de ser promessa e vira ferramenta para ganhar tempo e reduzir custos; confira as dicas de um especialista

A inteligência artificial já deixou de ser assunto apenas para empresas de tecnologia. Para quem empreende, ela pode estar presente em tarefas que fazem parte da rotina de qualquer negócio, como organizar informações, elaborar relatórios, preparar propostas comerciais, apoiar vendas, produzir conteúdos e analisar dados. Este foi o tema do workshop IA na prática: Soluções Inteligentes para o seu negócio, realizado em outubro na Agência Curitiba, dentro da programação do Mês do Empreendedor, iniciativa da Prefeitura de Curitiba
O desafio, segundo o empresário Alan Reinaldin, que atua com empreendedorismo digital, é deixar de enxergar a IA apenas como uma ferramenta para fazer perguntas e obter respostas.
“Quando você começa a adotar a IA, consegue reduzir custos e aumentar a produtividade dentro do seu negócio”, explica Reinaldin.
Empresário da Reinaldin Consultoria, Alan atua com capacitações, palestras e mentorias voltadas ao empreendedorismo e à inovação. Ele também já conduziu cursos do Vale do Pinhão sobre comércio eletrônico e uso da inteligência artificial para estruturar e analisar lojas virtuais.
Por onde começar
Para o empreendedor que ainda não utiliza inteligência artificial, o primeiro passo é observar a própria rotina e identificar tarefas que consomem muito tempo ou exigem trabalho repetitivo.
A recomendação de Alan é começar por um problema concreto. Pode ser um relatório financeiro que leva dias para ser elaborado, uma proposta comercial que precisa ser preparada para cada cliente ou a necessidade de organizar um grande volume de informações.
A lógica é simples: antes de procurar uma ferramenta, o empreendedor precisa saber qual problema pretende resolver.
IA pode funcionar como uma equipe de apoio
Uma das possibilidades apresentadas por Alan é utilizar diferentes recursos de inteligência artificial para funções específicas dentro da empresa.
Em vez de pensar em uma única ferramenta que faça tudo, o empreendedor pode estruturar diferentes agentes de IA, cada um voltado para determinada atividade. Um pode auxiliar na criação de textos, outro no design, outro na análise de informações e outro na execução de determinadas tarefas.
Isso pode ser especialmente interessante para pequenos negócios, que muitas vezes não têm condições de contratar profissionais para todas as funções.
A ideia, porém, não é simplesmente substituir pessoas. Para Alan, o ganho está em usar a tecnologia para ampliar a capacidade de quem trabalha no negócio.
Do texto para a conversa
O uso da IA também está avançando para modelos que trabalham a partir de conversas.
Alan explica que, em vez de o usuário precisar formular uma pergunta e esperar uma resposta, ferramentas de inteligência artificial conversacional podem captar uma conversa e, a partir dela, identificar informações e gerar insights.
Esse recurso pode ser particularmente útil para profissionais que passam boa parte do dia conversando com clientes, como vendedores e equipes comerciais.
“Ela se adapta mais às pessoas que conversam com muitas pessoas durante o dia. Um vendedor, por exemplo, pode utilizar uma inteligência conversacional para captar o áudio da própria conversa natural, sem um roteiro previamente programado”, afirma.
Na prática, isso pode ajudar o profissional a transformar conversas em informações úteis para o negócio, como identificar dúvidas recorrentes dos clientes, necessidades, oportunidades de venda e pontos que precisam ser melhorados no atendimento.
IA também pode mudar a experiência de compra
Outra possibilidade está no uso da inteligência artificial associada à realidade aumentada. Alan cita como exemplo o comércio de roupas.
Com um provador virtual, o consumidor pode utilizar uma imagem do próprio corpo e visualizar como determinada peça ficaria antes de efetuar a compra.
É uma aplicação que mostra como a inteligência artificial pode ir além da produção de textos e imagens e interferir diretamente na experiência do consumidor.
Ferramenta gratuita não significa ferramenta ilimitada
Para quem está começando, existem diversas ferramentas que oferecem períodos ou modalidades gratuitas. Mas Alan alerta que o empreendedor precisa observar as condições de cada serviço.
“A maior parte das ferramentas disponibiliza um período gratuito, mas não é um período eterno. Depois, é preciso fazer um pagamento ou assinar um plano”, explica.
Por isso, antes de contratar uma ferramenta, vale avaliar se ela realmente resolve um problema do negócio e se o ganho de produtividade ou de receita compensa o investimento.
Para Alan, essa conta pode ser bastante favorável. Uma ferramenta de IA pode custar menos do que a contratação de profissionais para determinadas atividades e ajudar o empreendedor a executar tarefas que, de outra forma, exigiriam várias pessoas.
E os empregos?
O avanço da inteligência artificial também traz dúvidas entre trabalhadores e empresários. Para Alan, o principal movimento é de transformação das atividades profissionais.
“A tecnologia não vem para eliminar o que já existia, mas para aperfeiçoar as coisas. Quem tem medo de perder o emprego precisa se preocupar em aprender a utilizar essa tecnologia para que ela não venha a substituir o seu trabalho”, afirma.
Na avaliação do empresário, aprender a utilizar a IA também pode representar uma oportunidade de melhorar a competitividade profissional e abrir novas possibilidades de renda.
Cinco maneiras de começar a usar IA no negócio
1. Identifique uma tarefa que toma muito tempo
Antes de escolher uma ferramenta, observe o que mais consome horas da equipe. Relatórios, organização de informações, elaboração de propostas e produção de conteúdo podem ser bons pontos de partida.
2. Use a IA para analisar informações
Em vez de apenas pedir que a ferramenta escreva um texto, o empreendedor pode fornecer dados do negócio e solicitar análises, comparações e identificação de padrões. Isso pode ajudar na tomada de decisões.
3. Automatize tarefas repetitivas
Atividades que seguem sempre o mesmo padrão podem ser estruturadas com o apoio da inteligência artificial. O objetivo é liberar tempo para que a equipe possa se dedicar a atividades que exigem criatividade, relacionamento e tomada de decisão.
4. Crie ferramentas específicas para diferentes funções
Uma mesma empresa pode utilizar diferentes agentes de IA para apoiar áreas distintas, como comunicação, vendas, atendimento, análise financeira e criação de conteúdo.
5. Confira as informações antes de tomar decisões
A IA é uma ferramenta de apoio, não uma fonte infalível. Informações produzidas pela tecnologia precisam ser conferidas, principalmente quando envolvem números, dados financeiros, legislação, contratos ou decisões estratégicas.
