A food bike foi a ideia para conciliar o trabalho com a maternidade

07 de fevereiro de 2022 por Vanessa Brollo

Não tem como não perceber a food bike. Toda customizada para levar as delícias preparadas pela Cleise Lima, a bike chama a atenção em uma movimentada avenida de Curitiba. Essa foi a ideia para conciliar o trabalho com aquele plano que sempre foi o primeiro em sua vida, que era ser mãe. Ela estava ocupando o cargo de supervisora de atendimento em uma empresa de TI quando descobriu a gravidez e ao terminar a licença maternidade já pediu demissão e começou a buscar uma saída para conciliar maternidade e trabalho.Essa busca acabou tendo que acontecer com a Cleise preocupada com a saúde do filho. O Nicolas, com apenas 15 dias, apresentou um quadro de refluxo muito sério e além de dar os medicamentos, ela precisou ficar com ele no colo, deitado no peito na posição vertical por 40 minutos após cada mamada. Isso durou 1 ano!

E a Cleise passou por isso sozinha uma vez que o pai desistiu da paternidade quando o bebê tinha um mês. Juntou a preocupação com o filho, a pressão para ganhar dinheiro e o fato de estar em casa todo esse tempo. Foi a terapeuta da Cleise que percebeu que ela tinha que sair de casa ou poderia entrar em depressão.

“Então a terapeuta me deu uma tarefa: ande perto da sua casa e pense na coisa mais simples que você possa fazer e vender na rua. E tem que ser comida porque traz resultado imediato e vai te animar. E assim eu fiz.”

Começou vendendo pão de queijo em empresas e escolas para um lanche da tarde. E deu super certo! Depois quis testar café da manhã na rua. Testou pão de queijo com capuccino na porta de uma empresa por uma semana. Também deu certo e ela decidiu ir para a rua testar a ideia de drive thru no semáforo. Vendeu! Foi então que decidiu  trabalhar com uma food bike. Mandou fazer a caixa, levou em uma bicicletaria e depois de muitos ajustes, estava linda e funcional. O problema é que não existe regulamentação desse tipo de negócio em Curitiba. Mesmo sem licença, ela resolveu levar a bike para a rua. Isso foi em 2019, mas a ideia foi adiada porque a prefeitura iniciou uma obra gigante no final da Avenida Arthur Bernardes, em Curitiba e essa obra fez com que o trânsito da Avenida desaparecesse.

“Sem clientes, desisti da bike e fui para as empresas. Mas nas empresas não vendi café da manhã. Queriam os quitutes para eventos .Mas daí veio a pandemia e fiquei de novo sem clientes”


Somente no final de 2021 decidiu retomar o projeto que ficou parado por mais de 2 anos! Na food bike serve pão de queijo caseiro, cookies recheados com doce de leite, brownies, bolos e ainda salgados como quiches e empadões. Tudo acompanhado de capuccino ou café preto e feito pela própria Cleise. O nome, Café da Tia Anastácia é uma homenagem à quituteira das histórias de Monteiro Lobato. Para os dias da chuva ela já está providenciando um ombrelone e ela ainda vai atender nos carros para que a pessoas não precise nem descer do carro. “Só com temporal vou recolher a bike”.

As dicas da Cleise

-Teste tudo e teste rápido. Não pergunte o que as pessoas acham da ideia, não pergunte se comprariam. Isso não funciona!! Faça um modelo o mais simples possível da ideia (produto ou serviço) precifique e veja quem e porque pagam por isso; depois de ver o que funciona você vai cuidando dos detalhes, plano de negócios, custos, etc.Teste a ideia o mais rápido possível.


-Arrisque!! Não tem jeito. Empreender também é correr risco, mesmo que calculado! Perdi muito tempo buscando parceria para não ficar na rua sem licença com medo do que poderia acontecer. Pois assim que soube que eu iria para a praça uma cliente me convidou para colocar a bike na sua loja de flores. Em breve a bike terá um endereço. E não foi a única. Já recebi convite para colocar a bike na frente de uma loja de produtos naturais. Põe o carro na rua que as coisas começam a acontecer!


- Preste atenção no que o cliente quer e reinvente/adapte o negócio sem perder tua essência. Quando fui para o semáforo a primeira ideia era um delivery. As pessoas fariam um pedido, reservariam seu café e pegaram seu pedido na rua, no caminho. Assim eu não teria desperdício e o cliente teria certeza de ser atendido. Mas não era isso que as pessoas queriam. Mesmo quem reclamava quando passava e não tinha mais café nunca fez um pedido. O que as pessoas queriam era a comodidade de passar, pegar seu café, pagar e seguir seu caminho. Tudo muito rápido como em um drive thru. Agora além do drive thru já percebi que as pessoas gostaram da ideia de tomar café da manhã no Jardim. Mesmo no meio da semana dão uma parada na correria para sentar na pracinha e tomar um café ou ficar de pé ali comendo e batendo papo comigo. Outro diferencial para explorar!

@cafedatiaanastacia

 

 

 

COMENTÁRIOS
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VANESSA VILLALVA
04 de abril de 2022 Responder
Parabéns ???????????????? Tenha certeza que muitas mulheres vão se inspirar na sua história. Sucesso
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